Entraves da Construção Civil

 

O mercado imobiliário brasileiro é fragmentado e regionalizado. Há alguns anos houve um movimento de fusão e integração de empresas com uma atuação nacional, mas o mercado é muito específico em suas regiões.

Em 2006 e 2007, por exemplo, algumas grandes empresas tentaram se inserir no mercado nacional, mas não foram bem aceitas, em função de algumas especificidades que existem em cada região do mercado brasileiro.
Hoje, no Brasil, há boas oportunidades, principalmente em função da expansão, da desburocratização, da melhora nas bases jurídicas, da criação do patrimônio de afetação, além de uma série de medidas que promoveram mais segurança aos investidores que injetam capital e fazem com que esse mercado gire.
Apesar de tudo estar conspirando a favor do setor, ainda é necessário se ater a algumas questões que podem apresentar riscos ou até mesmo ameaças para o futuro, como:

 
Falta de infraestrutura urbana
O mundo está passando por um intenso processo de urbanização. A urbanização acelerada sem planejamento tem como consequência problemas de ordem ambiental e social. O inchaço das cidades, provocado pelo acúmulo de pessoas e a falta de uma infraestrutura adequada, gera transtornos para a população urbana. Uma das principais características da urbanização sem o devido planejamento é o inchaço das cidades, desencadeando graves consequências econômicas e sociais, esse fenômeno ocorre principalmente nos países em desenvolvimento, em razão da rapidez do processo de urbanização e da falta de infraestrutura. O crescimento desordenado das cidades gera a ocupação de locais inadequados para moradia, poluições, engarrafamentos, violência, desemprego, desigualdade social, locais inadequados para moradia, saúde, educação, infraestrutura, etc. Portanto, os distintos problemas urbanos formam uma teia, onde um está diretamente ligado ao outro, havendo a necessidade da realização de políticas para solucionar todos esses problemas, proporcionando uma melhor qualidade de vida para a população urbana.

Custo dos terrenos
A escassez de terrenos para construir parece ser mesmo uma marca dos grandes centros do país, e que já atingiu o interior dos Estados. Em Porto Alegre, por exemplo, a situação não é diferente da de São Paulo e de Curitiba. Para empreendimentos verticais ainda se encontram terrenos. Caros, mas se encontra. Porém, para condomínios horizontais, até na região metropolitana de Porto Alegre está difícil. A tendência é a redução de empreendimentos imobiliários, devido à escassez de terrenos e aos problemas no trânsito. Por outro lado, a oferta de crédito deve continuar a incentivar a construção em regiões populares dos arredores de grandes cidades. A cidade está se realocando. Há cinco anos, 70% dos lançamentos eram feitos nos grandes centros. Hoje, este índice caiu para menos da metade. Os gargalos do trânsito têm sido um entrave. Há ainda ações de governo, como a pacificação dos morros e as alterações dos Planos de Estruturação Urbana (PEUs), que modificaram gabaritos e criaram oportunidades no Rio de Janeiro, por exemplo, apontando para uma tendência nacional: a de que regiões metropolitanas das capitais e cidades do interior irão se tornam mais atraentes para construtoras e incorporadoras, desde que ofereçam infraestrutura.

Aprovações e licenciamentos
O Brasil vem experimentando grande expansão no setor imobiliário, que cresce a taxas vertiginosas. Trata-se de verdadeiro boom, ocasionado pela combinação de diversos fatores, dentre os quais o crescimento da economia, a consequente ampliação dos níveis de crédito e a necessidade de redução do déficit de moradias, escritórios e empreendimentos comerciais. A euforia do setor, no entanto, tem esbarrado na completa inaptidão do Poder Público, que prejudica a consolidação desse novo ciclo de prosperidade. Basta abrir os jornais, para que se tenha exata dimensão dos problemas, que acabam afetando a sociedade como um todo. Podemos começar citando o esquema de fraudes estruturado para desvirtuar o processo de licenciamento de novos empreendimentos imobiliários. Pelo que se apurou até o momento, desviaram-se expressivos valores, que deveriam ser pagos em contrapartida ao aumento do potencial de construção de edifícios. Todos esses fatos permitem afirmar que é indispensável e urgente a criação de novo marco regulatório para os empreendimentos comerciais e residenciais nas cidades. Contudo, a reforma legislativa não será eficiente, se não for acompanhada de verdadeira refundação dos órgãos técnicos, responsáveis pela análise, aprovação e fiscalização dos projetos. Essa nova concepção passa, ainda, pela punição efetiva de agentes públicos e membros da iniciativa privada que se envolvem em atos de improbidade, infelizmente frequentes. Somente com esse conjunto de medidas é que se conseguirá remover os imensos entraves, que representam pesado ônus a todos aqueles que se dedicam à atividade imobiliária. É hora de discutir e implementar mudanças, para que não se perca a imensa oportunidade de crescimento e consolidação do setor, com a geração de milhares de empregos e o desenvolvimento sustentável das cidades.

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